quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O que é a felicidade?


Vislumbrada pela noite, pelo sonho, pelo indefinido de todos os sentimentos da natureza humana... Quero sentir, bem no fundo do meu ser, o arrepeiar mais indescritivel de todos, aquele que penetra repentinamente na minha epiderme e me provoca imediatamente uma sensação de frescura súbita...
Eis o que pretendo, uma experiência, uma vivência fora do usual, a que nós simples mortais, não estamos habituados a dar o devido valor. Tão simples são estas experiências de que falo, que é comum não lhes atribuirmos a devida importância, refiro-me , está claro, na minha percepção pessoal, a coisas simplícimas como, poder acordar de manhã com aquela brisa primaveril, em que aromas de flores e frutos se misturam numa brisa fresca e acolhedora. Falo das tardes quentes de verão acompanhadas por um disco de Diana Krall e um sumo de pêssego...
Bem se vê que não exigente, limito-me a apreciar cada momento da minha vivência, e estas minhas preferências comuns para alguns, pouco excêntricas para outros, podem servir perfeitamente de uma boa metáfora para a nossa conjuntura mundial....
Vivemos hoje, num mundo onde ninguém está absolutamente feliz... Mas o que será a felicidade? Fiz uma breve pesquisa do que é considerado por muitos a felicidade e obtive as seguintes intervenções: "Segundo Daniel Gilbert, professor de psicologia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que estuda a felicidade há mais de duas décadas, conceitua a sensação de bem-estar:“É difícil dizer o que é, mas sei quando eu a vejo. É simplesmente se sentir bem” ;
"A felicidade é o estado de uma consciência plenamente satisfeita; satisfação, contentamento, bem-estar." ; "
"Sejamos bons e depois seremos felizes. Ninguém recebe o prémio sem primeiro fazer por isso."
Jean Jacques Rousseau; entre outras...
De um modo geral, pode-se facilmente constatar que o conceito de felicidade não é algo que chegue a um consenso, isto é, trata-se, efectivemente, de um conceito, definição, ou simplesmente uma sensação de carácter subjectivo e como tal, apenas cada um de nós tem a percepção pessoal da sua felicidade.
Fazendo uma análise de opiniões de personalidades do mundo da literatura, tendo em conta a sua vertente literária e décadas de vivência, constatei que as opiniões divergem de forma bastante difusa. Victor Hugo afirma de modo apaixonado, não pertencendo ele á brilhante Era do iluminismo que " A suprema felicidade da vida é ter a convicção de que somos amados", conferindo, deste modo, a felicidade aos sentimentos como o amor, por outro lado, Shakespeare confere à razão a responsabilidade de modelar a nossa felicidade "As ideias das pessoas são pedaços da sua felicidade", Napoleão Bonaparte, o jovem destemido e conquistador da Europa na expansão do liberalismo diz que "Cada hora de tempo perdido na juventude é um embrião de infelicidade no futuro", já o nosso Fernando Pessoa acredita que " A felicidade está fora da felicidade".
Tornou-se claro que a proura da felicidade pode ser considerado por muitos uma meta, um objectivo que ambicionam e respiram a cada dia impacientemente até atingirem o auge da felicidade.
Para mim, a felicidade reside simplesmente naquilo que nos dá prazer, naquela sensação única e, acredito que intrínseca de modo diferente em cada um de nós, que nos proporciona momentos, pensamentos, sensações e estados de espírito aproximados da tão anciada ataraxia... Nunca hei-de formular uma definição, porque acredito que nós, seres humanos, somos demasiadamente inconstantes para termos durante toda a nossa existência uma única definição de felicidade, confio antes na percepção de Voltaire que afirma que "os homens que procuram a felicidade são como embriagados que não conseguem encontrar a própria casa, apesar de saberem que a têm", tão simples quanto isto, a felicidade está no nosso íntimo, no nosso espírito e alma, resta-nos todos os dias encontrar em nós próprios o equiliíbrio entre o que nos é exterior e aquilo que nos proporciona prazer, acho que desta forma podemos declarar oficialmente que somos felizes!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Portugal - numa visão de atmosfera globalizada


Passei a tarde toda a ver "Os Simpsons" e apesar de todas as gargalhadas, tirei partido do grande propósito deste tipo de séries, a crítica... Não reside apenas na simbólica personagem Homer, o verdadeiro americano, o patriota, consumista, obeso e egoísta... Também podemos facilmente associar estas características ao Stan Smith, personagem principal da série "American dad", e quem fala no Stan ou no Homer, lembra-se logo da série "Family guy"... Porém, apesar de todas as características destas personagens, que os demarcam, naturalmente, como personagens-tipo, constatei que estas séries influenciam-nos cada vez mais no nosso quotidiano. Quantas vezes não demos por nós a dizer "boring" ou a imitar o Nelson "ah ah, ah ah"? Estamos aos poucos e poucos a ser "americanizados". Não é novidade,certamente, aliás, desde meados do século XX que vivemos numa explosão e expansão da cultura americana, vivemos, efectivamente, numa atmosfera globalizada, onde não existem raças, nem culturas puras, somos todos uma mistura... Contudo, e apesar de ser apologista desta globalização de valores e costumes, deste conceito do "mundo plano", penso que existem determinados conceitos que nunca devem ser esquecidos... A nossa nacionalidade, a pátria, a nossa história, as nossas origens, nunca devem ser postas de lado. Alerto também, àqueles que apenas se lembram de içar a bandeira nos jogos de futebol, é claroque não é preciso tê-la ao peito ou pendurada numa janela para nos sentirmos portugueses, basta apenas ter orgulho daquilo que somos e nunca esquecer as nossas raízes...


Actualmente, olho à minha volta e vejo, tristemente, uma realidade que me desagrada de todo, vejo os nossos costumes a serem desprezados, serem motivo de pejo, ou até mesmo desvalorizados... Refiro-me, naturalmente, aos marcos da nossa cultura, como já referi, não é por apoiarmos a nossa selecção de futebol, que acho lindamente que o façam, que nos afirmamos como verdadeiros portugueses... A nossa pátria é muito mais do que futebol... Portugal é um país lindo, puro, com uma história inconfundível que nos define, povo português, como um povo de coragem, audácia, garra... Devemos vangloriar o nosso fado, os nossos ranchos, as nossas paisagens rurais, o nosso "Zé- Povinho" em que tantos críticos da actulalidade se deveriam inspirar, antes de dizerem as frases inconsequentes que cospem das suas bocas, prudência meus amigos, complacência... Valores esquecidos, nesta sociedade de ilusões, de aparências, dos quais o nosso Portugal não se liberta desde a sociedade oitocentista. Porventura estas "elites", assim lhes chamo com o maior respeito, têm vindo, efectivamente, a aumentar...


Vamos ser portugueses a sério, vamos içar a bandeira com os nossos corações, com o respeito pelo outro, com orgulho dos nossos costumes. Não quero ouvir frases como "Sim, sou da beira, aquela pasmaceira de parolos", antes de criticarem, pensem primeiro, observem, como me dizem muitas vezes, "aprende-se mais a ouvir do que a falar"... Escutem o som do hino, da essência do orgulho português, da revolta na humilhação que enfrentámos com os "bretões. Sejamos puros!


Se ainda assim, não estiverem elucidados, eu apelo, então, a que apenas solicitem as reminiscências mais obscuras do passado portucalense, e ficarão deslumbrados com o mais insignificante acontecimento da nossa história.


Enfrentem a realidade em que vivemos inseridos, esta globalização, este tumor que todos os dias se apodera cada vez mais do nosso organismo lusitano, a infeliz perda dos nossos costumes... Não basta apenas criticar, há que haver prudência... As mentalidades mudam, a paixão nasce e renasce... A esperança permanece, e nutrir estes sentimentos de optimismo é aspirar ao progresso, a permanência dos nossos valores faz dos portugueses um povo único, a globalização é vital, é certo, eleva-nos para o desenvolvimento... Mas desde quando é que o desenvolvimento se faz em detrimento da perda do que já existe? Vamos continuar a ser aquilo que somos...

Não se deixem dominar pelas ideias pré-concebidas que hoje movem grupos e grupos de jovens da minha idade. Ser-se patriota, não é sinónimo e, nunca o será, de racismo, de xenófobia e os demais preconceitos a que estas classes se tendem, iludidos, a alimentar... O nosso Portugal, e todo o mundo, é de TODOS, ninguém tem supremacia...


Abram as mentes, está em nós, jovens, o poder de nos assumirmos como geração de mudança...


Não é certamente a fugir do nosso país que contribuimos para o progresso! Portugal merece, a sociedade merece, nós merecemos!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

A verdade - pilar da condição humana


Não sei sobre que escrever... Neste momento, pensamentos vivem agitados num celeuma interior de incompreensível e díficil resolução... Apenas tenho determinações... Aliás, já começa a tornar-se vicioso, tudo em que penso, me faz reflectir, cada vez mais, na inconstante natureza humana, na incerteza, na desconfiança...


Apetece-me gritar, esvaziar todos os sentimentos que me consomem e me deixam neste estado aterrado de pura perplexidade romântica... Despem-se por toda a parte, as árvores, apenas permanecem os ramos, as raízes e a razão... Fui abandonada num pântano, onde o desconhecido me rodeia e em que todas as emoções me consomem... Sinto-me o próprio desconhecido... Sinto-me a alma invisível dos típicos séculos aterradores, da incompreensão, da solidão, do vazio... O romantismo apoderou-se de mim...


Luto para que as últimas gotas do meu sangue não sejam envenenadas por esta poção de substâncias tão fortes incapazes de ver a esperança, que a tanto me tento a acreditar... E mais uma vez, parte de mim consegue, então, encontrar no fundo da complexidade das gigantescas e misteriosas razões que origianam esta incerteza, esta dúvida, o mais cauteloso e poderoso significado de todos os perigos de alma... A verdade!


Parém além de todos os demais valores/características humanas, o que mais anceio e me apaixona é, incondicionalmenmte a verdade... Para mim, acima de tudo, o pilar de toda a existência do Homem é a verdade, desde os primordios filósofos gregos, que desprovidos de sentimentos impuros, pregavam as suas teorias, as suas verdades, quer fossem aceites ou não... Ainda que, avançados para a sua época histórica, acreditavam no progresso da espécie humana, e é neste princípio que eu ainda, honestamente e, ainda que ingenuamente, acredito... Neste progresso reside, intrinsecamente, a verdade, a sinceridade, para além da razão, ou qualquer fonte de conhecimento imanente a qualquer tese em questão. Defendo que a verdade está sempre acima de qualquer argumento, aliás, sem verdade não existe argumento...


E assim, após tais reflecções, consigo então fundamentar e entender o porquê do meu vazio, a verdade está a ser esquecida, e sem verdade não existe argumentação, e consequentemente, vivemos então, num ciclo vicioso de mentiras, ilusões, que nos conduzem, para mal de minhas considerações e crenças, para o mais ignóbil de todos os destinos, a ignorância...


Acredito, firmamente, que aquele que não procura a verdade vive na ignorância.


Alerto assim, para que esta sociedade, considerada por muitos destruída, abra os olhos, e defronte de tais realidades nublosas que continue a lutar pelos nossos direitos e , sobretudo, pela verdade!


quinta-feira, 15 de maio de 2008

A flor da idade


Esta semana fui presenteada com um acontecimento que me marcou..

Merece todo o meu respeito e admiração, trata-se do encontro de universidades sénior de rotary a que tive o enorme prazer de ver e participar... Saímos de Mangualde por volta das oito horas com destino a Matosinhos, mais precisamente a EXPONOR, e desde o ínicio da viagem a boa-disposição foi uma constante incansável e interminável, acompanhados pelo som da guitarra as suas doces e maduras vozes cantarolavam os refrões das músicas populares beirãs que nos são tão familiares... Títulos como "Ó Zé", "Trigo loiro" entre outras, animavam o espesso ambiente de nevoeiro que servia de paisagem no caminho para o Douro...

Após a chegada à EXPONOR vi-me rodeada de rostos gastos, maduros, cansados... Porém em todos eles, fui capaz de descobrir um brilho especial, um brilho de alegria, de felicidade... Todos eles, apesar das maquilhagens das senhoras esconderem os pesos da idade, e de nos senhores o imponente laçarote lhes conferir um ar mais galante como forma de ocultar a sua velhecice, era notório o seu estado de êxtase, deslumbramento e pura felicidade...

Fui capaz também, de verificar sentimentos puros entre estes nossos companheiros, assim se tratavam, por companheiros, exaltando a amizade, companheirismo, solidariedade, complacência...

Fiquei deslumbrada com toda aquela atmosfera, e desejei que por momentos a minha geração fosse assim, contudo no minuto a seguir reconsiderei aquele meu desabafo mental e apercebi-me que nada daquilo seria possível na minha geração... Tudo porque, nós somos, ainda, uma semente de um ser vivo, e aquelas pessoas por quem me fascinei, como leu um poema lindíssimo uma senhora ,"já nasceram, ja afloraram, ja deram frutos..."

Não há nada que a idade não ensine...





"O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Colhe, pois, a sabedoria. Armazena suavidade para o amanhã."


Leonardo da Vinci


terça-feira, 6 de maio de 2008

Dedicatória



Este vai ser um post diferente de todos os outros... Vou debruçar todo o meu pensamento, atenção e sentimentos sobre aqueles que realmente importam... A família e amigos!
Como é sabido, e à priori estabelecido pelas normas ou padrões sociais, tem-se como principais valores na vida das pessoas, a família, o trabalho e a saúde. Pois, é neste âmbito, e sem qualquer intenção de retirar a devida importância ao trabalho e à saúde, que decido revelar neste meu singelo espaço cibernáutico um pouco do que estas pessoas significam para mim, um pedaço de de cada um, que constitui cada parte de mim...
Sou apologista do cliché "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és", pois bem, assim estou definida... Se avaliar as pessoas com quem me relaciono, com quem partilho a minha vida, com quem conto para tudo, a quem dou tudo o que posso, a quem me dispo de pejos e grito com todas as minhas forças até rasgar as cordas vocais "adoro-te" e sei sempre que a resposta será recíproca... Essas sim, definem então a pessoa mais feliz do mundo, eu! Feliz, simplesmente, por saber que as tenho, que as terei sempre ao meu lado, em qualquer ocasião, por mais difícil que seja suportar as barreiras da vida, da idade, da distância... Estarão sempre lá!
Obrigado por tudo, por me ajudarem a ser quem sou...
Palavras, tornam-se escassas e vagas para conseguir estabelecer uma definição daquilo que sinto e para traduzir a importância que têm para mim...
Pois bem, encontro-me então, sem palavras para descrever aquilo que sinto, contudo residem em mim certezas, determinações e objectivos...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A perfeição é um ideal, não uma realidade


Está um dia luminoso, mas fresco... Fresco demais para dias de Maio... Hoje é dia 1 de Maio, dia do trabalhador, feriado celebrado em todo o mundo. Nos grandes países agitam-se manifestações, protestos, insurreições, todas elas a fim de "celebrar" as conquistas que o Homem tem vindo a conseguir no mundo do trabalho ao longo dos tempos.Porém, todas elas são acompanhadas de insatisfação, nada está suficintemente bem, há sempre mais algo a exigir...E eu pergunto porquê... Desde a criação dos sindicatos, dos associativismos, do comunismo, enfim, que o Homem se insurge por melhores condições no trabalho e, consequentemente, melhor qualidade de vida, e ,com custo e força de vontade, tem conseguido, aos poucos, é certo, ter algumas vitórias... No entanto, nenhuma delas é capaz de satisfazer as vontades humanas. Isto porque, não é apenas a existência de uma conjuntura desfavorável que comanda a situação actual, a condição humana assim o quer... O Homem por natureza é um ser insatisfeito!E assim, todos os dias somos presenteados com greves, guerras, manifestações, conflitos sociais, entre os demais conceitos ou acontecimentos que consideremos provenientes desta nossa insatisfação...Tem sido assim ao longo dos séculos e sempre assim o será... Desde a primordial expansão do cristianismo em que não se conseguiu a adesão de todos os povos, até aos recentes acordos político-sociais, nada encontra o consenso ou aceitação imediata... Tudo requer, inevitavelmente, o pensamento, a premeditação, o que nos leva ao auge da insatisfação, porque o Homem procura a perfeição, persegue a utopia, o sonho e daí provém a insatisfação...Assim me sinto eu, consumida por esta inconcebìvel e estúpida condição humana, insatisfeita. Insatisfeita com a vida e com o que me rodeia... Não, não procuro a perfeição, persigo sim, e sempre o farei, a harmonia, a ataraxia, contudo não a encontro...Simples se tornam os sentimentos numa folha... Porquê então, tão difícil resolução? Tão difícil percepção?A perfeição é um ideal, não uma realidade! Porquê então, queremos, ambicionamos, perseguimos, procuramos e exigimos a perfeição se à priori sabemos que neste caminho apenas culminará a insatisfação?