Passei a tarde toda a ver "Os Simpsons" e apesar de todas as gargalhadas, tirei partido do grande propósito deste tipo de séries, a crítica... Não reside apenas na simbólica personagem Homer, o verdadeiro americano, o patriota, consumista, obeso e egoísta... Também podemos facilmente associar estas características ao Stan Smith, personagem principal da série "American dad", e quem fala no Stan ou no Homer, lembra-se logo da série "Family guy"... Porém, apesar de todas as características destas personagens, que os demarcam, naturalmente, como personagens-tipo, constatei que estas séries influenciam-nos cada vez mais no nosso quotidiano. Quantas vezes não demos por nós a dizer "boring" ou a imitar o Nelson "ah ah, ah ah"? Estamos aos poucos e poucos a ser "americanizados". Não é novidade,certamente, aliás, desde meados do século XX que vivemos numa explosão e expansão da cultura americana, vivemos, efectivamente, numa atmosfera globalizada, onde não existem raças, nem culturas puras, somos todos uma mistura... Contudo, e apesar de ser apologista desta globalização de valores e costumes, deste conceito do "mundo plano", penso que existem determinados conceitos que nunca devem ser esquecidos... A nossa nacionalidade, a pátria, a nossa história, as nossas origens, nunca devem ser postas de lado. Alerto também, àqueles que apenas se lembram de içar a bandeira nos jogos de futebol, é claroque não é preciso tê-la ao peito ou pendurada numa janela para nos sentirmos portugueses, basta apenas ter orgulho daquilo que somos e nunca esquecer as nossas raízes...
Actualmente, olho à minha volta e vejo, tristemente, uma realidade que me desagrada de todo, vejo os nossos costumes a serem desprezados, serem motivo de pejo, ou até mesmo desvalorizados... Refiro-me, naturalmente, aos marcos da nossa cultura, como já referi, não é por apoiarmos a nossa selecção de futebol, que acho lindamente que o façam, que nos afirmamos como verdadeiros portugueses... A nossa pátria é muito mais do que futebol... Portugal é um país lindo, puro, com uma história inconfundível que nos define, povo português, como um povo de coragem, audácia, garra... Devemos vangloriar o nosso fado, os nossos ranchos, as nossas paisagens rurais, o nosso "Zé- Povinho" em que tantos críticos da actulalidade se deveriam inspirar, antes de dizerem as frases inconsequentes que cospem das suas bocas, prudência meus amigos, complacência... Valores esquecidos, nesta sociedade de ilusões, de aparências, dos quais o nosso Portugal não se liberta desde a sociedade oitocentista. Porventura estas "elites", assim lhes chamo com o maior respeito, têm vindo, efectivamente, a aumentar...
Vamos ser portugueses a sério, vamos içar a bandeira com os nossos corações, com o respeito pelo outro, com orgulho dos nossos costumes. Não quero ouvir frases como "Sim, sou da beira, aquela pasmaceira de parolos", antes de criticarem, pensem primeiro, observem, como me dizem muitas vezes, "aprende-se mais a ouvir do que a falar"... Escutem o som do hino, da essência do orgulho português, da revolta na humilhação que enfrentámos com os "bretões. Sejamos puros!
Se ainda assim, não estiverem elucidados, eu apelo, então, a que apenas solicitem as reminiscências mais obscuras do passado portucalense, e ficarão deslumbrados com o mais insignificante acontecimento da nossa história.
Enfrentem a realidade em que vivemos inseridos, esta globalização, este tumor que todos os dias se apodera cada vez mais do nosso organismo lusitano, a infeliz perda dos nossos costumes... Não basta apenas criticar, há que haver prudência... As mentalidades mudam, a paixão nasce e renasce... A esperança permanece, e nutrir estes sentimentos de optimismo é aspirar ao progresso, a permanência dos nossos valores faz dos portugueses um povo único, a globalização é vital, é certo, eleva-nos para o desenvolvimento... Mas desde quando é que o desenvolvimento se faz em detrimento da perda do que já existe? Vamos continuar a ser aquilo que somos...
Não se deixem dominar pelas ideias pré-concebidas que hoje movem grupos e grupos de jovens da minha idade. Ser-se patriota, não é sinónimo e, nunca o será, de racismo, de xenófobia e os demais preconceitos a que estas classes se tendem, iludidos, a alimentar... O nosso Portugal, e todo o mundo, é de TODOS, ninguém tem supremacia...
Abram as mentes, está em nós, jovens, o poder de nos assumirmos como geração de mudança...
Não é certamente a fugir do nosso país que contribuimos para o progresso! Portugal merece, a sociedade merece, nós merecemos!

2 comentários:
gostei bastante desta reflexão!
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Sim senhora, tens muita razão, mas o problema é que enquanto tentamos comportar-mo-nos com a atitude optimista como referes, ao vermos as fabulosas notícias do telejornal, vemos os nossos "políticos" a regurgitar discursos decorados, vislumbramos o placar do preço dos combustíveis que nunca está igual durante uma semana, etc, essa atitude facilmente se desvanece e acabamos por ficar novamente a pensar no raio de país que isto é :P (pelo menos eu fico com vondade de fazer uso da minha super-bazuca-de-raios-lazer)
bom texto
cumps ;)
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